O futuro da tecnologia: Onde vamos parar? Aliás, se é que vamos!

Atualmente, é praticamente impossível sabermos e entendermos todas as siglas existentes no mundo da tecnologia.

Da década de 90 para cá,  surgiu uma quantidade absurda de empresas de tecnologia em todo o mundo. E com elas vieram novos termos, serviços, conceitos e inovações. Com toda essa evolução , acabamos por ver grandes empresas (como Mandic, Netscape etc) se afundarem por não acompanhar a evolução proporcionada por esses novos entrantes.  Empresas, consagradas no mercado internacional, vieram para o Brasil tentando impor sua cultura, com investimento pesado, e anos depois, simplesmente fecharam as portas no país e foram embora. Como o caso do provedor de internet AOL. Por outro lado, tivemos empresas que começaram desacreditadas (IG, Submarino, Yahoo, Google etc.) e se tornaram referência em seus segmentos.

Mas o que mais me impressiona é a revolução cultural causada por essas empresas e tecnologias. Basta ouvirmos um grupo de adolescentes (sem conhecimento técnico, diga-se de passagem.) conversando por alguns minutos, que que não demora muito para ressoar termos como: blog, flog, orkut, msn, skype, net, note, palm, torpedo, second life, emule, mp3, 4 e 5, ipod, iphone, torrent, download, upload, subir, baixar, converter, plugar, deletar, salvar, gravar, ripar, “control c, control v” e dezenas de outros.

Se pensarmos que esse mesmo grupo de adolescentes estiver simplesmente estudando tecnologia, além desses termos ainda ouviremos alguns outros como: web 2.0, tableless, CSS, RSS, usabilidade, escalabilidade, flexibilidade, tunning, firewall, java, dotnet, asp, jsp, php, html, xml, xhtml, ajax, tag, flag, lock,  Database, cluster, RAID, NAT, FAT, NTFS, VPN, e por ai vai.

Imaginem o que esses adolescentes iriam pensar se os chamássemos para uma partida de Pac-Man, River Raid, Enduro, Mega Mania etc. Embora esses fossem os jogos da “moda” de dez a quinze anos atrás, perante aos poderosos xBox, PS2 e 3, Wii etc., o conceito seria no mínimo de “Tiozão”.

Bons tempos aqueles em que conhecíamos todos os termos relacionados a informática, e nos sentíamos orgulhosos em ter na ponta da língua a resposta quando questionados sobre alguns assuntos como: http, www, tcp-ip, internet, extranet, wan, lan, icq, smtp, pop, imap, dir, cls, format, xcopy, cd, rd, basic, xt, 286, 386, wordstar, lotus 1-2-3 etc.

Para aqueles (como eu) que trabalham neste mundo da alucinado da tecnologia, e dominavam os termos citados no parágrafo acima,  o grande “pulo do gato” é investir em processos, gestão, negócios etc. E deixar para que esses adolescentes sedentos por “botõezinhos” e aparelhos digitais, dêm continuidade a aquilo que de certa forma demos nossa contribuição.

Agora, para dizer onde tudo isso vai parar, ainda desconheço qualquer tecnologia que seja capaz de responder!

Época Pós-industrial

Atualmente vivemos em uma sociedade onde cada vez mais precisamos ser criativos e ter idéias inovadoras. E a cada dia que passa, o trabalho físico que outrora era executado por nós seres humanos, passa a ser executado por máquinas. E as atividades mentais repetitivas, são transferidas aos computadores. Estamos vivendo a era Pós-Industrial. Durante dois séculos, tempo que durou a sociedade industrial (1750-1950), o maior desafio foi a eficiência, isto é, fazer o maior número de coisas no menor tempo. Assim, o ritmo de vida deixou de ser controlado pelas estações do ano e tornou-se mais dinâmico. Enquanto a agricultura precisou de dez mil anos para produzir a indústria, esta precisou de apenas 200 anos para gerar a sociedade ou era Pós-Industrial.

Embora não se tenha uma exatidão, pode-se dizer que a sociedade pós-industrial nasceu com a Segunda Guerra Mundial, a partir do aumento da comunicação entre os povos, com a difusão de novas tecnologias e com a mudança da base econômica. Um tipo de sociedade já não baseada na produção agrícola, nem na indústria, mas na produção de informação, serviços, símbolos e estética.

A sociedade pós-industrial provém de um conjunto de situações provocadas pelo advento da indústria, tais como o aumento da vida média da população, o desenvolvimento tecnológico, a difusão da escolarização e difusão da mídia.

Esta sociedade se diferencia muito da sociedade industrial e isso se percebe claramente no setor de serviços, que absorve hoje cerca de 60% da mão-de-obra, total, mais que a indústria e a agricultura juntas, pois o trabalho intelectual é muito mais freqüente que o manual e a criatividade, mais importante que a simples execução de tarefas. Antes era a padronização das mercadorias, a especialização do trabalho. Agora o que conta é a qualidade da vida, a trabalho intelectual e a otimização do tempo e do espaço, ou seja, fazer uma mesma coisa em tempos e lugares diferentes (simultaneidade). Assim como propõe Domenico de Mais, em seu livro “O ócio criativo”, quando diz que devemos desenvolver atividades onde ao mesmo tempo: trabalhamos, estudamos e usufruímos do lazer.

Com o advento dessa nova era, muitos países menos desenvolvidos não produzem produtos pós-industriais, mas sim, produtos agrícolas e industriais. Entretanto, consomem produtos agrícolas, industriais e pós-industriais. Enquanto do outro lado, existe apenas um pequeno grupo de países pós industriais na produção e no consumo. Fato que nos permite pensar que o mundo é governado por uma minoria de países, como por exemplo: Japão, Alemanha, EUA etc.

Com o fim da Guerra Fria, uma pequena parte do planeta, responsável por cerca de 15% da população mundial, fornece quase todas as inovações tecnológicas existentes. Uma segunda parte, que engloba talvez metade da população mundial, está apta a adotar essas tecnologias nas esferas da produção e do consumo. A parcela restante, que cobre por volta de um terço da população mundial, vive tecnologicamente marginalizada — não inova no âmbito doméstico, nem adota tecnologias externas.

O que podemos dizer sobre esse processo de evolução da sociedade, é que o “capital físico”, que era a variável chave nas épocas agrícola e industrial, passa a ceder espaço para ao que chamamos de “capital humano”. Onde o conhecimento, a cultura, a arte, a estética e a criatividade, passam ser valorizados, tornando-se os elementos chaves para o processo de evolução.

Referência:

LUCCI, Elian Alabi. A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar. Saraiva.
Disponivel em: http://www.hottopos.com/vidlib7/e2.htm
Acesso em: 03 out. 2007.

Otimizando o tempo livre

Resenha de:
DE MASI, Domenico. O Ócio Criativo: Como os lírios do campo.
Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2000, pg. 13 a 40.

 “Como os Lírios do Campo”, primeiro capítulo do livro “O ócio criativo”, do sociólogo e escritor italiano Domenico de Masi, demonstra através de respostas aos questionamentos realizados pela entrevistadora Maria Serena Palierei, que além do trabalho duro, o ócio, no sentido puro da palavra, propiciou grandes evoluções e continua sendo um importante instrumento para a o desenvolvimento da sociedade.

O capítulo destaca que o ócio pode ser considerado algo muito bom, mas somente se interpretado de acordo com o real sentido da palavra. Para os gregos, por exemplo, tinha um sentido estritamente físico, pois trabalho para eles, era tudo aquilo que exigia esforço físico, com exceção do esporte.  E nesse contexto, aquele que realizava o trabalho, era considerado cidadão de segunda classe. As atividades não-físicas, como: a política, o estudo, a poesia, a filosofia etc. eram atividades “ociosas”, e dignas somente dos cidadãos de primeira classe.

Dando continuidade as suas colocações, o autor explica que na sociedade industrial, as pessoas movimentavam muito as mãos e os pés, e na maioria das vezes, executando atividades repetitivas, tornando as atividades de certa forma, automáticas. Sem a exigência de esforços intelectuais. Situação que viera a mudar somente no ciclo pós-industrial, onde cada vez mais, o trabalho físico e em alguns casos até mesmo atividades intelectuais, passam a ser executados pelas máquinas. Restando aos seres humanos, seja no trabalho ou no ócio, a interessante tarefa de ser criativo. Entretanto, sempre ressaltando a dificuldade que nós seres humanos temos de alterar nossos hábitos e aderir ao ócio criativo.

Para reforçar suas colocações, DE MASI cita o fato de o homem ter levado aproximadamente setenta milhões de anos para aprender a andar ereto, a aprimorar a utilização das mãos, a desenvolver a linguagem e a educar e transferir a experiência adquirida a seus descendentes.  Só então em torno de setecentos mil anos atrás, começa utilizar animais como os cães para puxar trenós e também a desenvolver novos instrumentos de caça, como o arco e a flecha.  A partir daí, cita a descoberta das sementes, a troca da caça pela domesticação dos animais, a criação da roda depois das grandes eras glaciais, a descoberta da astronomia, o surgimento do comércio, da democracia, avançando até o ciclo industrial e enfim, aos dias de hoje.  Deixando claro que as grandes evoluções vieram somente quando o homem passou a transferir seu esforço, seja para animais ou máquinas, ou quando da otimização do trabalho (como no exemplo em que cita a troca da caça pela criação), fazendo uso da criatividade.

De um modo geral, o autor demonstra seu profundo conhecimento de sociólogo quanto à evolução humana. Inclusive sendo muito assertivo, diga-se de passagem. E ao demonstrar tal evolução, justifica a citação do “Evangelho segundo São Matheus” que dá título ao capítulo, onde diz: “Aprendei dos lírios do campo, que não trabalham e nem fiam. E no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles”. Em outras palavras, e ele procura deixar claro que a labuta é muito importante, mas que a ociosidade criativa é essencial para o continuo aprimoramento e a inovação, e para que os mesmos ocorram cada vez mais rápidos. Trata-se de uma obra que ao mesmo tempo em que provoca o leitor a refletir sobre o conceito de ociosidade, é muito agradável e rica em fatos históricos. Vale a pena conferir!

É hora de parar de reclamar e crescer!

Resenha de:
GRANADEIRO, Cláudia. O ritmo ainda é lento.
São Paulo, 2001.
Disponível em:
http://veja.abril.com.br/051201/entrevista.html
Acesso em: 22 out. 2007.

 “O ritmo ainda é lento”. Esse é título da entrevista concedida por aquele que é considerado o “guru” da estratégia. A entrevistadora, Cláudia Granadeiro, antes de iniciar as perguntas, traz uma breve apresentação sobre o empresário, acadêmico, escritor e “estrategista”, Michael Porter.
A entrevista abrange diversos assuntos, iniciando pela visão de Porter a respeito do Brasil, onde o mesmo cita que o país é importante para a economia mundial, entretanto, ainda é visto como uma promessa que parece nunca se realizar.

Questionado sobre a mentalidade negativa do empresariado brasileiro, Porter diz que falta confiança por parte dos empresários, e que os mesmos sempre tiveram foco no imediato, e que para obter o sucesso, é necessário pensar a longo prazo.
Dando continuidade, são abordados dois assuntos: o primeiro é a dependência do Brasil no que diz respeito à exportação de produtos primários, e o segundo é o processo de descentralização industrial em nosso país.

Na seqüência, Porter defende os EUA, dizendo que o país não é protecionista, conforme declarado pelo ex-presidente brasileiro FHC, justificando que os americanos têm um déficit de centenas de bilhões de dólares.

Logo em seguida, ele diz que a maior parte dos problemas brasileiros é interna, e que é hora de parar de reclamar e crescer. Cita ainda, que o principal do nosso país é não saber lidar com as reformas microeconômicas. Além de criticar o complexo sistema tributário brasileiro e a burocracia, que torna complicado fazer negócios no país, atrapalhando inclusive as exportações.

Porter diz ainda que as empresas confundem eficácia operacional com posicionamento estratégico, e cita também os principais erros estratégicos das empresas. Além disso, fala que a estratégia deve ser de conhecimento de todos os funcionários, para que a empresa saiba em que direção está indo.

Para fugir da imitação de produtos e serviços, Porter afirma que as empresas precisam conhecer bem seus clientes, e oferecer produtos/serviços diferenciados. Além disso, defende que é extremamente perigoso apostar na incompetência do concorrente, pois todas as empresas estão investindo na melhoria da qualidade e treinamento.

Finalizando a entrevista, ele fala acerca dos aspectos positivos e negativos do Brasil. Sobre os anos 90, que sob sua perspectiva foi uma década ruim para a estratégia. Discorre ainda sobre a economia mundial após ataques terroristas de 11 de setembro, e encerra fazendo uma avaliação positiva da ação do presidente George W. Bush frente ao terrorismo
 

A conclusão que tiro sobre a entrevista, é que os assuntos abordados vêm apenas a reforçar o que estamos cansados de saber, e que aparentemente é totalmente obscuro aos nossos governantes. Registro também uma crítica a Porter, que peca em dois pontos: ao defender o protecionismo americano e ao ser parcial no comentário referente ao Bush (talvez pelo fato do Bush ter sido seu aluno em Harvard).  Entretanto, em linhas gerais, trata-se de um material muito interessante, o qual, os executivos e principalmente os políticos brasileiros deveriam ler e refletir. Para então, se a consciência lhes permitir, mudar a maneira de agir.